segunda-feira, 14 de maio de 2018

A cultura afro-brasileira na escola

Desde 2003, o ensino da história e da cultura afro-brasileira (e indígena) nas escolas é obrigatório por lei - uma lei difícil de cumprir, porque muitas gerações de professores não foram preparadas para isso. Os dicionários e enciclopédias voltados para o tema, que Nei Lopes começou a publicar muito antes da existência da lei, são um capítulo à parte na história de pioneirismo do homenageado da FLIM.

São obras de referência, que Nei pesquisou e organizou sozinho ou em co-autoria com respeitados nomes da pesquisa universitária sobre  cultura negra e cultura popular brasileira, como Luiz Antonio Simas, João Batista M. Margens, José Rivair Macedo e Alberto Mussa. Aqui vão dicas para professores, alunos e quem quiser saber mais sobre nossas raízes e nossa história. Você vai se maravilhar com a riqueza do conhecimento acumulado desde as antigas civilizações africanas, até chegar às fazendas e cidades do Brasil.


Dicionário de História da África: Séculos VII a XVI – com José Rivair Macedo, ed. Autêntica, 2017. 

A história da África contada em 1.200 verbetes, tendo a própria África como centro e sujeito dos acontecimentos. Traz uma síntese cronológica, contextualizando os principais acontecimentos no continente africano entre os séculos VII e XVI; o embate entre as ideias e os interesses do islã, do cristianismo e da religião tradicional; as disputas pelo controle das fontes de riquezas e das rotas de comércio; o surgimento de unidades políticas criadas e expandidas por lideranças locais; biografias de líderes religiosos, políticos e outras figuras históricas.
  


Dicionário da História Social do Samba – com Luiz Antonio Simas, ed. Civilização Brasileira, 2015.


Obra de referência pioneira, revela o valor da negritude e da historia dos negros na criação e fixação do samba, assim como a inserção dessa cultura musical na sociedade de consumo. Os autores reconstroem  a memória cultural do Brasil, numa narrativa organizada em verbetes: a repressão dos primeiros tempos; o samba como gênero de música popular, com seus muitos subgêneros, estilos e diferenças regionais; e os nomens fundamentais que fizeram essa história: compositores, instrumentistas, cantores, dançarinos, cenógrafos e outros. 




Dicionário da Hinterlândia Carioca – com Luiz Antonio Simas – ed. Pallas, 2012

A "hinterlândia carioca" é “a região afastada do centro metropolitano, isto é, os subúrbios do Rio, cidade dividida em duas partes: uma, predominantemente litorânea, abrigando preferencialmente os ricos e remediados; outra, reservada aos cidadãos tidos como de segunda classe. Nos verbetes deste Dicionário, o subúrbio é o lugar privilegiado, onde o urbano encontra o rural, onde o nacional abraça o global e onde o presente mais fortemente se nutre do passado. É nele que o fato cultural passa pelo filtro ou pelo amplificador da indústria para se espalhar pelo Brasil e ganhar o mundo.
Um dicionário que é um verdadeiro mapa para se perder pela história dos subúrbios do Rio.




Dicionário da Antiguidade Africana – ed. Civilização Brasileira, 2011

Esta obra preenche de forma acessível, clara e concisa uma lacuna da historiografia nacional. Seus  verbetes revelam um passado africano quase desconhecido em sua antropologia, cultura, geografia e filosofia. Recusando-se a abordar a África pelo viés convencional de suas relações com a Europa, o dicionário mostra a anterioridade das civilizações egípcia e cuxita sobre a civilização greco-latina que ainda hoje domina o pensamento ocidental. Redefine, assim conceitos como civilização e escrita, entre outros. 







História e Cultura Africana e Afro-brasileira – didático, ed. Barsa Planeta, 2009

Aborda em oito unidades a História da África, a partir as civilizações e organizações anteriores à chegada dos europeus, até suas relações com a formação da identidade brasileira. Ganhadora do prêmio Jabuti de 2009 na categoria Didático/Paradidático, a obra atende à Resolução 01, de 17/06/2004, que regulamentou a Lei federal 10.639/03, a qual tornou obrigatório o ensino da História e da Cultura afro-brasileiras na grade curricular do ensino básico e fundamental. 





Dicionário Literário Afro-Brasileiro – ed. Pallas, 2007


Este dicionário relaciona e identifica autores, obras, manifestações, instituições, figuras  e fatos históricos relativos à presença do negro na literatura brasileira, como produtor e como tema de obras literárias. 










Dicionário Escolar Afro-Brasileiro – didático, ed. Selo Negro, 2006

Esta obra procura colocar ao alcance do público escolar, em linguagem acessível, informações que permitem resgatar a influência cultural africana que permeia nossas raízes e nossa História.









Kitábu: O livro do saber e do espírito negro-africanos – ensaio, ed. Senac RJ, 2004

Escrito na forma de "versículos", este livro busca sistematizar o conhecimento sobre as religiões africanas nas Américas, a partir de suas matrizes. Realizando uma espécie de arqueologia das raízes históricas e mitológicas dessas religiões, Nei Lopes debruça-se sobre esse conjunto de crenças e cultos, para trazer a público uma rica e digna estrutura religiosa e filosófica.  





Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana – ed. Selo Negro,  2004 – ed. aumentada 2011. 

Reúne, num único volume, uma significativa massa de informações multidisciplinares sobre o universo da cultura africana e afrodescendente. Traz ao conhecimento de um público amplo assuntos até agora restritos a especialistas e de difícil acesso aos leigos. Os verbetes, em ordem alfabética, abrangem uma vasta área de conhecimentos, incluindo personalidades históricas.






Sambeabá: O samba que não se aprende na escola - ensaio, ed. Casa da Palavra/Folha Seca, 2003


O be-á-bá do samba, num livro que descreve o ambiente do surgimento do gênero e marca sua força diante das pressões do mercado. Ilustrações do  artista Cássio Loredano. Para ser lido tanto pelo estudioso do assunto quanto pelos que nunca ouviram o bater de um pandeiro.






Novo Dicionário Banto do Brasil – ed. Pallas, 2003 – ed. aumentada 2012


Publicado pela primeira vez em 1996, é considerado referência fundamental para a investigação das línguas africanas. Os verbetes da antiga edição forem revistos e ampliados. Povo originário da bacia do rio Congo, região que inclui parte do território da Angola atual, os bantos foram trazidos em grande número para o Sudeste brasileiro e tiveram muita influência na religiosidade, na linguagem e nos costumes de Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. 





Veja também:

Nenhum comentário:

Postar um comentário