quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Alma despida

A poesia de Thássio G. Ferreira é daquela que desnuda o poeta em suas lutas (comuns a todos os seres humanos). Não por acaso, o título de seu livro de estreia, que traz para a FLIM, é (DES)NU(DO), assim mesmo em maiúsculas - como se, mais exposto, impossível.

Os poemas revelam um homem que luta para se encontrar, luta com o eu, luta com o tempo e com a própria poesia, pois oscila entre o louvor ao silêncio e a necessidade de se expressar em palavras. "Abri-me ao silêncio/e o silêncio fecundou-me", diz ele num poema. Mas completa: "e pari num sopro/um espanto, um encanto:(...) O encantamento que dava/vida às palavras".

Nem por isso abre mão do humor e da brincadeira, como em Exercício da rima: 

O poeta pede, sem pudor,
embora humildemente,
ao poeta de si que o lê, o leitor,
tão prezado e paciente,
que lhe perdoe o louvor
à rima inconsequente.

Ou no esperto Desgramatical:

Tu, que embaralhais minhas regências,
ó vós, que anarquizas minha linguagem
e minha pretensa sanidade,
você, convergência de tudo quanto digo
giratoriamente, como louco,
em direções divergentes,
nem liga pra eu...
Thássio G. Ferreira vai autografar seu livro ao final do encontro sobre Poesia e os Direitos do Homem, uma promoção da FLIM em parceria com a Oasys Cultural. Anote na agenda:

Sábado 26 de agosto
15h30 às 17h

(30)       Poesia e os Direitos do Homem – Bate-papo comemorativo do 228o aniversário da Declaração dos Direitos do Homem. Compartilhamento de textos do público com os poetas Thássio G. Ferreira e Ronaldo Junior, seguido de autógrafos dos livros  (Des)nu(do)  e  O verso sou eu Mediação de Valéria Martins.

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